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IA não é coisa de nerds. Mas do CEO e do board. E como está sua empresa?

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IA não é coisa de nerds. Mas do CEO e do board. E como está sua empresa?

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A Economist publicou artigo muito interessante que mostra o quanto a Inteligência Artificial (IA) está se tornando estratégico para países e empresas. O artigo se concentra na disputa entre EUA e China, “China may match or beat America in AI”, e nele podemos sentir quão estratégico a IA está se tornando. Por exemplo, um estudo da PwCmostrou que IA em 2030 acelerará o PIB global em cerca de 16 trilhões de dólares. O estudo aponta que os EUA inicialmente obterão ganhos de produtividade mais rapidamente do que a China, impulsionada pela sua prontidão para a IA e o alto percentual de empregos susceptíveis de substituição por tecnologias mais produtivas. Mas, a China poderá ultrapassar os EUA em dez anos. Europa e a Ásia desenvolvida, como Coréia do Sul também obterão ganhos econômicos significativos da IA. Por outro lado, o estudo mostrou que os países em desenvolvimento conseguirão aumentos bem mais modestos devido às suas mais baixas taxas de adoção das tecnologias de IA. É altamente preocupante.

Nenhum setor de indústria ou empresa estará imune ao impacto da IA. As empresas que não conseguirem aplicar adequadamente a IA, perderão, inevitavelmente, competitividade e participação de mercado. A consultoria McKinsey estudou o assunto e publicou um artigo “How artificial intelligence can deliver real value to companies” que mostra o crescente gap de competitividade, já demonstrada na prática, entre as empresas que adotam IA com mais velocidade e as mais lentas ou que ainda não despertaram para a importância estratégica da IA, que estão ficando, inexoravelmente, para trás. Curioso que algoritmos inteligentes já estão inseridas nas nossas atividades diárias e nem percebemos disso. Quando vemos um filme no Netflix ou encomendamos um livro na Amazon, por trás dessa escolha tem a influência de algoritmos de recomendação. A sugestão de caminho proposto pelo Waze ou a precificação de uma corrida pelo Uber também são baseados em algoritmos. Aprovação ou negação de créditos são baseados em algoritmos. Preços dinâmicos para passagens aéreas são estipulados por algoritmos. A onipresente busca que fazemos no motor de busca do Google é um sistema de IA. Mais da metade das ações em bolsa transacionadas nos EUA já são comandadas por algoritmos. Competições de busca por melhores algoritmos acontecem frequentemente em sites como Kaggle.

 

As empresas que querem se manter competitivas no século 21 não podem ignorar o tsunami da IA que já está chegando. Aqui no Brasil, a maioria das empesas ainda mal começaram a colocar algoritmos e IA em seus serviços e produtos. Na verdade, IA ainda parece ser um sonho distante para os executivos das empresas brasileiras. Mas elas precisam, obrigatoriamente, entregar experiências melhores aos seus clientes e tomar decisões mais acertadas. Para isso algoritmos são a base essencial. Sem algoritmos você não consegue antecipar as necessidades dos seus clientes e nem fazer recomendações adequadas, que melhorem sua experiência. Algoritmos de machine learning podem analisar bilhões de sinais e identificar probabilidades de determinado cliente comprar um produto específico ou direcionar qual atendente do call center será mais adequado para atender a uma específica demanda. Mesmo as lojas físicas que respondem por mais de 90% das compras no Brasil podem usar IA através de chatbots, para interagir com seus clientes à medida que eles caminham pelos corredores. Analisando seu histórico como clientes, preferências e outras informações, podem recomendar produtos nas gôndolas. Em resumo, a experiência que eu percebo na Amazon não tem similaridade com as que percebo na maioria dos sites de varejo brasileiros. Os apps que usamos na maioria das empresas brasileiras, de quaisquer setores, seja de bancos, seguradoras ou varejistas não proporcionam experiência personalizada. São, em sua maioria, interfaces desktops adaptados para as telas dos smartphones, com mudanças cosméticas.

 

O grande desafio para as empresas é como preparar e garantir talentos, tecnologia e o acesso aos dados para aproveitar ao máximo a oportunidade da IA. O artigo da Economist mostra claramente quão importante é preparar talentos. A China, por exemplo, tem uma educação com forte ênfase em matemática e todas as suas principais universidades já tem ou estarão muito em breve lançando programas de educação em IA. Estima-se que hoje a China já tenha 2/5 dos cientistas de IA do mundo.

A IA tem alto potencial de inovação. O artigo “Why artificial intelligence is different from previous technology waves” mostra claramente isso. Entretanto, para que consigamos explorar esse potencial, precisamos aglutinar 5 variáveis essenciais: Talentos, densidade, cultura, capital e ambiente regulatório. Talentos significa que precisamos enfatizar a educação em matemática e ciência da computação, com forte dedicação às tecnologias de IA, como reconhecimento de linguagem natural, machine learnng e deep learning. Densidade exemplifica que talentos dispersos perdem oportunidade de trocar ideias e experiências, bem como de alavancarem esforços em conjunto. É importante estarem juntos, em ambiente de alta densidade. A criação de aceleradoras com espaço de coworking dedicadas a soluções de negócio em IA é um forte impulsionador. Cultura significa adoção pela sociedade da mentalidade de correr riscos, típicas do empreendedorismo. No Brasil temos escassez de talentos em IA e a imensa maioria das nossas universidades ainda não despertou para a importância do assunto, mantendo ainda uma programação bem esparsa e superficial. Também encontramos dificuldades na nossa cultura que ainda enfatiza muito a aversão à riscos. Entretanto, já vemos alguns sinais positivos por parte de uma geração mais empreendedora que está surgindo. Fundamental também é o acesso a capital. Entre 2012 e 106 as empresas chinesas de IA conseguiram mais de US$ 2,6 bilhões, ainda bem menos que os US$ 17,9 recebidas de aporte das americanas. Mas o gap está diminuindo rapidamente. Aqui estamos muitíssimo longe disso!  E, ambiente regulatório implica em um cenário de facilitação para pesquisa e criação de empresas, com pouca burocracia. Novamente, estamos muito mal na foto! Recomendo a leitura do estudo “Fostering a Startup Innovation Ecosystem” para um maior detalhamento dessas variáveis.

 

 

Os avanços na inteligência artificial e robótica estão impulsionando uma nova era automatização inteligente, que será um importante motor de desempenho empresarial nos próximos anos. Afetará empresas, empregos, sociedade e a economia. Vai obrigar a revisão da atual formação educacional, e demanda fortes ações por parte de governos e das empresas. É essencial que as corporações de todos os setores de negócio compreendam seu impacto potencial ou ficarão para trás. Esse é o mundo que já começamos a trilhar. Sem volta. Os sinais de mudança já aparecem aqui e ali, e muitas empresas não estão prestando a devida atenção. Estamos, sem sombra de dúvida, em uma sociedade cada vez mais hiperconectada e digital. O mundo digital, a computação e os algoritmos de IA estarão tão inseridos no nosso dia a dia que talvez nem tenha mais sentido, no futuro, falar em indústria de TI, pois todas as empresas de alguma forma serão de tecnologia. O que é um Uber, Airbnb, Facebook, Alibaba, Amazon? Empresas de tecnologia que sabem fazer muito bem transporte, hospedagem e varejo.!

A IA não é coisa de nerd ou de cientistas, mas deve estar nas reuniões do CEO e do board das organizações. Questão de sobrevivência no século 21.

 

 

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